Caracteristicas Técnicas

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ÓRGÃO SINFÓNICO DA CATEDRAL DE VILA REAL 

  • Um órgão do século XXI em Portugal.
  • Qualidade e características de excelência mundial na concepção e composição do instrumento.
  • Equilíbrio perfeito dos 33 registos interagindo entre si no espaço durante o tempo musical.
  • Máxima idoneidade litúrgica e possibilidade interpretativa do repertório de todos os séculos até aos nossos dias.
  • Perfil magistral para a arte da improvisação.
  • Capacidade e flexibilidade integrativa com vozes e instrumentos.
  • Programação concertistica permanente ao longo de todo o  ano.

 

 

ENQUADRAMENTO

Obedecendo ao projeto inicial realizou-se a construção de um grande órgão de quatro teclados composto de trinta e três registos, para um total de 2.192 tubos.

Conforme previsto no concurso, foi colocado na fachada interna, sobre o para vento da entrada da Catedral, posição ideal para uma ótima difusão do som ao longo da nave.

O instrumento foi contido numa caixa de ressonância de carvalho e dotado de um monumental prospeto de tubos em liga de estanho (87%), ordem de 16 pés, dispostos em alas ascendentes que permitem a visão completa da rosácea situada atrás.

O órgão é acionado eletricamente por uma console situada no plano da igreja, normalmente no transepto, mas deslocável segundo as exigências da liturgia e da atividade cultural (concertos). Construído segundo os mais atuais critérios de arte, o instrumento é uma obra única representativa do nosso tempo.

 

COMPOSIÇÃO FÓNICA

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CARACTERÍSTICAS DE CONSTRUÇÃO

O órgão foi construído nos laboratórios da empresa Mascioni, em Itália, com a utilização de materiais naturais, de primeira qualidade e madeiras selecionadas com secagem natural.

O complexo estrutural foi desenhado em cada detalhe garantindo uma ótima diferenciação das sonoridades. Foi dada uma particular atenção à distribuição do ar, de modo a evitar cedências momentâneas de pressão. Os espaços de passagem permitem o acesso a cada elemento, para execução dos trabalhos normais de manutenção. A console foi dotada de um sistema original de transmissão para a ligação com o órgão e é facilmente deslocável para qualquer ponto da Catedral. A tecnologia utilizada para a comunicação entre a console e o órgão é realizada mediante uma transmissão de tipo “modem” (aplicada há mais de quinze anos em cerca de uma centena de instrumentos) garantindo a absoluta qualidade em termos de prontidão e total imperturbabilidade de eventuais interferências externas. As transmissões elétricas estão integradas com unidades eletrónicas, silenciosas e de máxima prontidão. Estas unidades fazem a gestão das comunicações console-órgão.

O complexo transmissivo é alimentado por dois estabilizadores especiais de corrente em baixa tensão (14 Vcc.). Os someiros mestres são do tipo clássico “a tiro”, a “canal” por tecla. A armação e as coberturas são em carvalho e os ventilabros de abete de primeira escolha. Estes últimos são guarnecidos de pele dupla e dimensionados em base ao volume de ar exigido para cada canal. Separadores no interior dos canais individuais selecionam o ar para as palhetas de modo a evitar interferências da alimentação com os tubos labiais. Os cuidados dispensados na escolha da madeira (sentido do veio) e as colagens fenólicas, garantem a não deformação às estruturas de madeira com as variações higrométricas ambientais. As guarnições de contenção do ar são em pele de cordeiro, as pontas de guia em latão e as molas dos ventilabros de aço harmónico. Os someiros dos registos derivados por transmissão são do tipo a “eletro-íman por nota”. Os crivos são em abete maciço.

Um atento estudo gráfico em fase de projeto, garante a cada tubo o espaço e o ar para uma pronúncia correta do som. Os foles, oportunamente dimensionados, são do tipo “a saco” com pregas em robusta pele de carneiro. As condutas porta-vento são em abete maciço. O ar é fornecido por um eletro-ventilador (especial para órgão). As pressões do ar são diferenciadas segundo as exigências fónicas. A caixa expressiva foi construída em abete de forte espessura. A intensidade do som é regulada por lâminas móveis verticais dotadas de pano para um total silêncio no fecho. O seu movimento de abertura é total, obtido através de dispositivo eletromecânico especial, comandado pelo pedal na consola.

Os tubos foram construídos sobre diagramas de medidas expressamente elaboradas tendo em conta as volumetrias da Catedral. Os de metal, em liga de estanho e chumbo variável segundo as exigências sonoras de cada registo. Foram extraídos de placas fundidas sobre tela e trabalhadas à mão. Têm uma espessura apropriada para garantir a estabilidade do som. As palhetas têm dotes excecionais de cantabilidade, obtida através do estudo experimentado durante anos de prática, de medidas e relações construtivas. As trompetes horizontais foram construídas com os característicos tubos de latão e colocados segundo o estilo português, na fachada, como acontece nos órgãos históricos ibéricos. Os tubos de madeira são em abete isento de nós e seco naturalmente. As bocas e os boquins porta-vento são de carvalho. As tampas dos registos tapados têm guarnições de pano e pele com garantia de suporte estável. Segundo a tradição as paredes internas estão impermeabilizadas com cor à base de terra vermelha e cola orgânica.

A harmonização foi particularmente cuidada e desenvolveu-se em diversas fases. Começou na escolha das medidas dos tubos, prosseguindo com uma primeira entoação em laboratório. Foi concluída com o aperfeiçoamento no lugar, tendo em conta a resposta acústica do ambiente. Cada registo foi bem caracterizado, cuidando também de uma boa fusão de conjunto.

A afinação foi executada a temperamento igual (La 440 Hrz a 18°). A harmonização e a afinação ficaram a cargo de Franco Nicora, especialista de nível internacional com mais de trinta anos de experiência. A execução do trabalho foi de tipo artesanal, com a intenção de realizar uma obra única segundo todas as regras da arte organeira.  

ALCADO orgao vila real

 

CARATERÍSTICAS DA CONSOLE

  • Móvel em nogueira montado sobre um robusto estrado com rodas orientáveis para a deslocação, dispondo de travões de imobilização;
  • Os quatro teclados estão dotados de um agradável “toucher”, com placa em osso (os naturais) e em madeira de ébano (os sustenidos);
  • A pedaleira é côncavo-direita, com os pedais em carvalho e a armação em nogueira;
  • O comando dos registos é constituído por puxadores em nogueira com a escrita em porcelana e dotados de servo-assistência para o seu acionamento automático por meio de combinações ajustáveis ao sequenciador;
  • Possui 12 pistões (pulsantes) sob os teclados, para o comando das combinações ajustáveis e dois pulsantes F e A, para memorizar e anular as combinações inseridas;
  • Tem 6 pistões debaixo dos teclados (+ e -) para o sequenciador, ou seja, o avanço e recuo contínuo das combinações preparadas;
  • Tem 1 pulsante luminoso para o “Tutti”;
  • Tem 4 pistões em bronze maciço com a escrita em baixo relevo à esquerda do pedal de crescendo, para o comando das uniões teclado-pedal;
  • Tem 2 pistões ao lado dos pedais (- e +) para o sequenciador;
  • Tem 2 pistões dotados de indicador luminoso à direita dos pedais (C e T), para a anulação do crescendo e o comando do Tutti;
  • Tem pedais para acionar o “Crescendo” e “Expressão” revestidos em borracha anti deslizante e com bordos em latão;
  • Possui chave para a ascensão do órgão e pulsante para ascensão das lâmpadas de iluminação da estante e pedaleira;
  • Possui display para o controlo das 12 (72) x 5.000 = 60.000 combinações ajustáveis memorizáveis com a indicação das combinações e do nível utilizados;
  • O display indica também o estado do funcionamento do instrumento.

Consola

Console   

ACESSÓRIOS

  • Combinações ajustáveis com pistões;
  • Seleccionador digital das memórias;
  • Pedais uniões tecla;
  • Pedal crescendo;
  • Pedal expressão;
  • Banco e estante para o organista;
  • Lâmpadas de iluminação da estante e pedaleira.

 

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

O órgão foi instalado numa base sobre-elevada na fachada interna sobre o para-vento da entrada, a 4,70 m do solo.

A base tem uma dimensão de 5,60 x 2,50 m e sustenta o peso do órgão de aproximadamente 6.000 Kg.

Sobre a soleta instalou-se uma linha elétrica para a alimentação do órgão (380 v Trifase + Terra + Neutro).